As críticas feitas por agentes do mercado financeiro à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou na semana passada a taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 10,75% ao ano, foram "exageradas". A avaliação é do economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. "Na reunião (da semana passada), o Banco Central não interrompeu o ciclo de alta dos juros, apenas promoveu um aumento um pouco menor do que havia realizado no encontro anterior", afirmou.
Segundo o economista, "a manutenção do ritmo anterior seria ignorar a melhora (das perspectivas inflacionárias) que houve. Por isso, entendemos a decisão da instituição", acrescenta Campos Neto.
Para a ata do Copom, a ser divulgada na quinta-feira, Campos Neto espera por uma confirmação, por parte dos integrantes do Comitê, de que realmente houve uma diminuição dos riscos inflacionários. "Deve-se explicar quais foram os motivos que levaram o Banco Central a entender que o cenário atual está benigno para a inflação", explica o economista.
Segundo ele, novas altas de preço nos setores de alimentos e de serviços não estão descartadas. "Alimentos carregam incertezas elevadas, pois são preços voláteis que dependem de situações atípicas. Além disso, nesta parte do ano também são esperadas negociações salariais de categorias importantes que podem provocar pressão inflacionária", ressalta.
Embora considere esse cenário, Campos Neto acredita que o ciclo de aumento da taxa de juros será interrompido em outubro. "Esperamos só mais um ajuste de meio ponto em setembro, com a Selic encerrando o ano em 11,25% (ao ano)", disse.
Para 2011, o economista acredita que os preços administrados serão fator de risco para a inflação. "Os itens administrados em 2010 deverão ter um comportamento mais elevado do que em 2009 e, possivelmente, terão efeito no ano seguinte", afirma Campos Neto.
Para Campos Neto, o BC deve ter dificuldades em fazer com que a inflação encerre 2011 dentro do centro da meta, que é de 4,5% ao ano, por problemas estruturais, como inércia e persistência inflacionária, devido à indexação que existe em certos preços da economia.
De acordo com o economista, o ritmo da atividade econômica ainda deve continuar aquecida, porém, menos intenso do que no fim de 2009 e início de 2010. "Acredito que o mercado de deve seguir positivo, com os projetos de investimentos das empresas em andamento", finaliza. Fonte: Diário do Comércio e Indústria